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quarta-feira, 24 de abril de 2013

A Igreja não é uma ONG. A Igreja é uma históra de amor



La catequesis

No disminuye el entusiasmo popular por el Papa Francisco. Hoy, la multitud que estaba en la Plaza San Pedro llegó incluso a la antigua Plaza San Pío XI. Como ya se ha convertido en una costumbre, Jorge Mario Bergoglio besó a muchos bebés y llevó a cabo el ya también tradicional “vals de los solideos”.
La Radio Vaticana informó que en su catequesis del miércoles 24 de abril, ante más de 80 mil peregrinos reunidos en la Plaza de San Pedro, el Obispo de Roma reflexionó sobre tres textos del Evangelio que ayudan a entrar en el misterio de una de las verdades que se profesan en el Credo: que Jesús «de nuevo vendrá con gloria para juzgar a vivos y muertos».

En este marco Francisco expresó que el tiempo de la espera, es el tiempo que Jesús otorga antes de su venida final.Hablando a los jóvenes les dijo: «¡No entierren sus talentos! La vida no se tiene para guardarla para uno mismo, se tiene para entregarla». Afirmó que «en la parábola del juicio final, se describe la segunda venida del Señor y se advierte que seremos juzgados en la caridad, según lo que hemos amado a los demás, especialmente a los más necesitados», y que «lo que se pide es estar preparados para el encuentro, que significa saber ver los signos de su presencia, tener viva la fe con la oración y con los sacramentos; se trata de ser vigilantes para no dormirnos, para no olvidarnos de Dios». Invitó a todos «a vivir este tiempo presente que Dios nos ofrece con misericordia y paciencia, para que aprendamos cada día a reconocerlo en los pobres».

El ministerio y la estructura de la Iglesia
Mientras tanto, el Papa Francisco volvió a hablar sobre la esencia profunda de la Iglesia y su ministerio espiritual durante la misa de hoy por la mañana en la Domus Santa Marta. «Una comunidad cristiana que crece y multiplica a sus discípulos es una cosa buena pero que nos impulsa a hacer pactos para tener más socios en esta empresa», «la Iglesia –explicó en su homilía matutina el Papa– crece desde abajo, lentamente». De hecho, recordó, «la vía que Jesús quiso para su Iglesia es otra: la vía de las dificultades, la vía de la Cruz, la vía de las persecuciones».

Según Bergoglio, «esto nos hace pensar: “¿qué es esta Iglesia? Esta nuestra Iglesia, porque parece que no es una empresa humana”. La Iglesia, dehecho, es otra cosa: no son los discípulos los que constituyen la Iglesia, ellos son enviados, enviados de Jesús. Y Cristo es enviado del Padre.

«Y entonces, se percibe que la Iglesia comienza allí, en el corazón del Padre, que tuvo esta idea». Es más, añadió Francisco, «no sé si haya tenido una idea: el Padre tuvo amor. Y comenzó esta historia de amor, esta historia de amor tan larga en los tiempos que todavía no ha terminado». «Nosotros, hombres y mujeres de Iglesia, estamos en medio de una historia de amor: cada uno de nosotros es un anillo en esta cadena de amor. Y si no entendemos esto, no entendemos nada sobre qué es la Iglesia». Pero, se preguntó el Pontífice, «¿cómo crece la Iglesia? Jesús lo dijo con sencillez: como la smeilla de la mostaza, como la levadura en la harina, sin ruido».


«Y cuando la Iglesia quiere enorgullecerse de su cantidad y crea organizaciones, crea oficinas y se hace un poco burocrática, la Iglesia pierde su substancia principal y corre el peligro de transformarse en una Ong. Y la Iglesia no es una Ong. Es una historia de amor… Pero existen los del Ior… disculpen… pero, todo es necesario, las oficinas son necesarias. Pero son necesarios hasta un cierto punto: como apoyo para esta historia de amor. Pero, cuando la organización toma el primer sitio, el amor se acaba y la Iglesia, pobrecita, se convierte en una Ong. Esta no es la vía».

Todo dia é dia dos livros !


quarta-feira, 27 de março de 2013

O Papa que ¨sai de si¨ !

Primeira audiência pública do papa que ¨sai de si¨, 

do papa que nos encontrou 

e não teme encantar o mundo! 





¨Viver a Semana Santa seguindo a Jesus quer dizer aprender a sair de nós mesmos, ir ao encontro dos outros, ir à periferia, sermos os primeiros a nos movermos até nossos irmãos, principalmente àqueles que estão mais longe, que estão esquecidos, que necessitam de compreensão, consolo e ajuda¨.  Francisco

O texto de hoje é um improviso de Francisco, durante sua primeira audiência pública. Vale a pena meditar um pouco sobre sua mensagem e o sentido forte que ela assume agora, na Semana Santa !


¨Sair de si¨! Descentrar-se ! São expressões usuais na teologia cristã, porque expressam o jeito de nosso Senhor Jesus Cristo viver !!!

A expressão é forte e de difícil entendimento. 
Como vou sair de mim ??? 
Se saio de mim, não estou mais ¨dono¨ de mim, como se estivesse dormindo ou desmaiado ???

Aí está a beleza da linguagem da fé. Se humanamente é inadmissível a qualquer ser humano ¨sair de si¨, esta expressão que os gregos chamam oxímoro (palavra doida, maluca, que se expressa numa contradição...) é a que melhor dá conta do comportamento que Jesus nos convida a seguir.

Agora, se eu digo que uma pessoa se ¨sente¨ ... se eu digo que uma pessoa pensa que ela é o ¨umbigo do mundo¨ ... todo mundo entende que estou qualificando esta pessoa de egoísta, em outras palavras: auto-centrada, ¨centrada em si¨.

¨Sair de si¨ é a atitude evangélica perfeita ! 

O melhor exemplo que conheço é o da cristã perfeita, Maria, que ainda era uma menina quando o anjo lhe anuncia o desejo de Deus para a sua vida. Sabemos que uma menina de uns 15, 17 anos não entendeu nada da vontade de Deus para ela, naquele momento. 

Mas qual foi a atitude Maria ? Não entendeu, mas disse: Eis-me aqui !!!

Não existe melhor momento para apreendermos o significado de ¨Eis-me aqui¨ do que na contemplação da Paixão, Morte e Ressurreição daquele filho-difícil, do que significou para Deus o olhar sempre presente de Maria.

Aliás, o melhor daquele famoso filme sobre a Paixão, na minha pobre opinião, é a troca de olhares de Maria e seu filho Jesus. É surpreendente que durante todo o percurso da Paixão este filho - que Maria nunca conseguiu entender humanamente - encontre no olhar da mãe,  apoio para portar o madeiro.

São olhares que sustentam. E sustentam porque saem de si e se dão ao Outro, Como o olhar de Maria que doou seu filho ao mundo, seu único filho, filho que era Deus, e que Maria, já nas Bodas de Canã não compreendia, mas avisava que deveríamos observá-lo e obedecê-lo. 

A palavra obedecer é interessante. Não carrega em sua etimologia o sentido de hierarquia, de um que manda e de outro que obedece. Obedecer é OUVIR. E isto o próprio Deus cansou de nos dizer: 

OUVI-O ! Este é meu filho muito amado !

É na escuta ao Senhor que crescemos na fé. Conheço um místico que diz que a fé ¨entra¨ pelos ouvidos (os salmistas sabiam e pediam a Deus que ¨furassem¨ seus ouvidos para que ouvissem melhor a Deus).



Sacrifício e oblação não quisestes, mas abristes, Senhor, meus ouvidos;não pedistes ofertas nem vítimas, holocaustos por nossos pecados. E então eu vos disse: “Eis que venho!” (Sl 40)



¨Sair de si¨ é dizer a Deus, Eis-me aqui ! 
Eis-me aqui para amá-lo e João nos ensinou que quem não ama o irmão, não ama a Deus !

Na penumbra, sem clara visão do que virá, mas na mesma certeza de Maria que, mesmo ¨não tendo ainda chegado a hora de seu filho, crê e recomenda que o ouçamos, do mesmo modo, quando chegou a hora de seu filho, aos pés da cruz, cantar emocionados, 


Sobe a Jerusalém, Virgem oferente sem igual.
Vai apresenta ao Pai, teu Menino: luz que chegou no natal.
E, junto à sua cruz, quando Deus morrer fica de pé.
Sim, ele te salvou, mas o ofereceste por nós com toda fé.
Nós vamos renovar este sacrifício de Jesus:
morte e ressurreição, vida que brotou de sua oferta na cruz.
Mãe, vem nos ensinar a fazer da vida uma oblação.
Culto agradável a Deus é fazer a oferta do próprio coração.


em http://oglobo.globo.com/mundo/vao-periferia-ajudem-aos-esquecidos-diz-papa-francisco-7956779#ixzz2OkgHJOv9 

terça-feira, 26 de março de 2013

Papa Francisco e seus gestos jesuítas


O desejo de escolha do quarto do primeiro papa jesuíta


O pe. Lombardi, SJ, informa que o


¨Papa Francesco, ha commentato ancora il portavoce vaticano, "sperimenta questa convivenza: è una situazione di esperimento, manifesta questo desiderio di continuare a essere presente nella stessa casa che sta abitando dall'inizio del Pontificato. E dove ora sono tornati i sacerdoti e vescovi che vi risiedevano prima, tra i quali c'è anche il cardinale Giovanni Coppa".

O papa-surpresa não quer dormir sozinho, nos quartos e salas a ele destinados pelos séculos e séculos vividos. O papa-surpresa não quer acordar entre quartos e salas que, segundo ele,  comportam 300 pessoas¨. O papa-surpresa sabe o valor da glória e das dores da comunhão. O papa-surpresa não quer ser ex-comungado, no sentido mais simplezinho da palavra, que é o ¨drama de ser alijado da con-vivência  dos que constituem agora a sua comunidade¨.

Pensando assim, o desejo do papa Francisco não me surpreendeu. Ao contrário, deu origem a uma ação de Graças por seu gesto. Isto porque os religiosos vinculados a Congregações, ¨padres, freiras, irmãos¨, dividem a residência onde moram. Na prática, isto implica orar na mesma capela, partilhar a mesa durante as refeições e, no caso que eu conheço um pouco melhor, na Companhia de Jesus, alterman-se na ¨governança¨ da casa.

Ah, cada um tem ¨direito¨ ao seu quarto individual, o que, aos meus olhos, transforma o quarto de um jesuíta num universo totalmente diferente, por exemplo, do meu quarto, onde todo mundo mete a mão na porta e já entra falando o que quer... MÃE ! FILHA ! d. Jussaraaaaaa ! A única vantagem que levo, é ouvir um VÓ delicioso algumas vezes adentrando o meu devassado santuário.

Brinco, mas presto minha reverência ao ¨quarto¨ de um religioso jesuíta.

Fiquei encantada quando um jesuíta me contou: um dia, Pe. Arrupe esteve no meu quarto e autografou a foto (era hábito ter na parede uma foto dele, em sinal de admiração por pessoa tão admirável !). Também eu, autora do ¨Blog do Rahner¨, me emocionei quando outro jesuíta me contou que Rahner esteve no ¨quarto¨ dele ! Isso sem nem considerar a primeira vez que pus um pé no quarto de um jesuíta !!! Oh, Senhor ! Eu me senti pisando ¨solo sagrado¨ !!!

Tentei fazer algo assim, depois da viuvez, com o meu quarto. Na primeira vez que fiz os Exercícios Espirituais de Santo Inácio, esbarrei num problemão que o santo mesmo já tinha alertado: onde rezar. Não se faz exercício físico sem esforço físico e não se faz exercício espiritual sem oração.

Um dia, muito aborrecida com meu fracasso, disse brava e atrevida ao ¨orientador¨ dos EE: o senhor pensa que na minha casa tem uma capela, assim como aqui, na sua casa ? Não consigo silêncio nem um recolhimento efetivo no meio da ¨confusão familiar¨...

E foi aí que levei um tranco ! Sabe o que o jesuíta me disse ? Você, JUSSARA, tem que aprender a construir uma capela dentro da sua cabeça e com o seu coração.

Acho que levei anos para entender o que significava construir uma capela na minha cabeça. E ele me foi relatando sobre as dificuldades deles, os SJs. Tem dia que vc pensa: vou agora prá capela: chega lá, tem um SJ que, justo naquela hora está lá, sozinho, celebrando ... Os exemplos se sucederam e acabei entendendo a reverência que os SJs têm pelo quarto, local onde eles acabam sempre construindo suas capelas mais interiores.

Eu confesso que adoro o jeito de proceder dos SJ, coisa que nem em sonho daria para implantar na minha casa. Um sistema comunitário, com os ônus e os bônus da alternância na direção da rotina da residência de todos.  E o que exerce essa governância, leva o título de Superior da Residência. Na prática, cuida e responde por todos aqueles problemas chatos que ¨ninguém merece¨...

E o encarregado desse pesado ofício (extra), recebe o nome de Superior da Residência, embora a cultura brasileira considere esse tipo de trabalho ¨inferior¨ e toda dona ou dono de casa podem confirmar.

Já vi superior cuidando de ¨um, tudo ...¨ Uma loucura ! Mas todos devem se ¨con-formar¨ com seu estilo gerencial. Todos sabem que o exercício de tal superioridade não é vitalício e todos sabem que a inferioridade das compras, cardápios, dietas, saúde, fora tudo que envolve a gestão de complicações de ordem pessoal, dura um ¨certo¨ tempo. Por isso, o religioso que hoje está numa invejável ¨posição inferior¨, sabe que já, já, a chata da Superioridade da Residência vai despejar-se por sobre a sua vida, ¨de novo¨. Daí a solidariedade de todos com o coitado do Superior da Residência... É um sentimento do tipo: eu sei que sou você amanhã ...

Enfim, de todas as obviedades rotineiras que permeiam a convivência humana, religiosa ou não, o importante aqui é perceber que conviver implica se sujeitar à alternância dos humores alheios !

Para mim, o que sustenta a experiência de vida religiosa é a comunhão ! Para nós, cristãos, a partilha da mesa é a mais forte herança de comunhão que ganhamos de nossos irmãos judeus.

Agora, na semana santa, a contemplação da cena da Última Ceia explode os nossos corações diante das experiências humanas que se ali se passam ... Do discípulo amado, o jovem João, à experiência de Judas. 
Por isso, a comunhão não pode ser afastada do humano.  
A comunhão confirma a nossa humanidade e o papa Francisco sabe disso. 
Acordar, como ele fez hoje,  presidir a celebração, às 7:00, na comunidade que com ele reside em Santa Marta, fazer com esta comunidade as refeições, é preservar a humanidade que ele, com sua humildade gestual, não cansa de nos sugerir, por exemplo quando desejou bom almoço à multidão que estava diante dele, em comunhão com ele.

E nesta Semana Santa, eu desejo que a contemplação inesgotável da Santa Ceia ofereça à nossa vivência cristã uma singela e gigantesca resposta ao chamado do Cristo.

domingo, 17 de março de 2013

O brasão de Francisco, papa da misericórdia !



O Brasão de Francisco, e sua mensagem

O Papa Francisco decidiu manter seu brasão, escolhido na sua consagração episcopal, também marcado pela simplicidade : um escudo azul que ganhou os símbolos pontifícios (mitra posicionada entre chaves de ouro e prata entrecruzadas, unidas por um cordão vermelho). 

No alto, está o emblema da ordem de origem do Papa, a Companhia de Jesus: um sol radiante e flamejante carregado com as letras, em vermelho, IHS, monograma de Cristo. A letra H é coberta por uma cruz em ponta e três pregos em preto.

Abaixo, encontram-se a estrela e a flor de nardo (semelhante ao cacho de uva), que já constavam no brasão do cardeal Bergoglio. 

A estrela, de acordo com a antiga tradição aráldica, simboliza a Virgem Maria, mãe de Cristo; enquanto a flor de nardo indica São José, patrono da Igreja. Na tradição da iconografia hispânica, São José é representado com um ramo de nardo nas mãos. 

Colocando no seu escudo tais imagens, o Papa pretendeu exprimir a própria devoção à Virgem Santíssima e São José.

Em memória ao evento que marcou o início de sua consagração total a Deus, Bergoglio escolheu o lema e o modo de vida “Miserando atque eligeno”. A frase, escrita em latim do Evangelho de Mateus, descreve a atitude de Jesus com um pecador, a quem olhou com sentimentos de amor e escolheu-o, de acordo com informações do site do Vaticano.

O lema é uma homenagem à misericórdia de Deus e é reproduzido na Liturgia das Horas da festa de São Mateus. Ele tem um significado especial na vida e na trajetória espiritual do Papa. Segundo o Vaticano, foi em uma festa de São Mateus, em 1953, que Bergoglio experimentou, aos 17 anos, a presença de Deus em sua vida.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/mundo/anel-do-pescador-de-francisco-sera-de-prata-nao-de-ouro-diz-vaticano-7869427#ixzz2NubkoXlE   © 1996 - 2013.


El escudo del Papa Francisco

sábado, 16 de março de 2013

Rosî Moura, o testemunho cristão de uma apaixonada

Já contei aqui que, para Karl Rahner, a
 melhor palavra para dizer ¨fé¨ em nossos dias é CORAGEM.

Por isso eu trago um artigo escrito para um jornal virtual dos funcionários do Banco Central do Brasil. Este artigo, cujo título é FRANCISCO, foi escrito por Rosimêre Fonseca de Moura.

Rosi, como é conhecida por seus amigos e admiradores é uma mulher de coragem. Tem a coragem de sentir, de agir conforme o seu sentir, que é sempre um sentir amoroso.

Na semana passada, Rosi lançou um delicioso livro de contos, o ALÉM DAS CORTINAS que, desde os primeiros dias consta como um dos 100 mais vendidos da Amazon.com.br !






Tudo isso para dizer aos leitores do Blog que se encantem com o testemunho de fé dessa cristã que aqui dá consistência real ao que professamos no Credo Niceno-constantinopolitano:

Creio na Igreja
UNA, SANTA, CATÓLICA E APOSTÓLICA.



Francisco



Em 13 de março de 2013, enquanto passava pelo coração da Vila Isabel, ouvi dobrarem os sinos da igreja mais próxima. Naquele horário as badaladas só podiam indicar a aparição da fumaça branca na chaminé da Capela Sistina. Liguei o rádio imediatamente.

Há algum tempo (foi logo depois da eleição de Bento XVI), uma colega me provou por a + b, num longo e-mail repleto de citações de normas, que eu não poderia me considerar católica apostólica romana (apesar do batismo, do catecismo, da primeira comunhão, da crisma), já que não frequentava nenhuma paróquia, quase não ia a missas, raramente comungava e descumpria várias das condições estabelecidas para tanto. Vi que ela tinha razão, agradeci e passei a me declarar laica, para todos os fins. 

Mesmo assim, a escolha do novo Líder da Igreja de Roma me interessa muitíssimo. Entrei em casa e fui direto para a TV ligada, acompanhando a cerimônia com atenção reverente. Só um tolo seria desrespeitoso para com a escolha de uma liderança religiosa que congrega mais de um bilhão de seguidores. Só alguém muito ingênuo desconsideraria a importância e a influência da figura Papal no planeta em que vivemos, católicos ou não.

Quando as portas se abriram e o Cardeal-Diácono Tauran anunciou, como escolhido, o Arcebispo de Buenos Aires, fiquei surpresa e contente. Um nome não europeu me pareceu um sinal de boa vontade para com o mundo fora dos limites do velho continente. Uma esperança de maior abertura, de aprofundamento de diálogo, de diluição de fronteiras entre os continuadores do trabalho dos Apóstolos, de um ministério para urbi et orbi. 

Então veio o anúncio do nome do novo Pontífice: Francisco. Fiquei perplexa. Torci por esse nome, por muitos anos. Embora eu ache um tanto feio haver torcidas em torno de qualquer aspecto da eleição de um Papa, embora tenha passado (durou menos de um segundo!) por minha cabeça a perguntinha infame “argentino?” durante a anunciação (perdoem hermanos, são puerilidades, Deus há de me perdoar), tenho de admitir meu silencioso desejo de ver um Papa assim chamado. 

Fiquei profundamente emocionada. Apaixonada pela vocação inovadora e pela consistência ética da Ordem Franciscana, entrevi na opção do Cardeal Jorge Mario Bergoglio, uma menção à possibilidade de uma prática ainda mais pastoral. De uma Igreja com tendência mais acentuadamente inclusiva. Uma Igreja ainda mais voltada ao socorro daqueles irmãos que, vitimados pela miséria ou pelo abandono, pela ignorância, pela violência ou pela doença, ficam à mercê do desespero e às portas da perdição. 

Uma Igreja capaz de resolver efetivamente seus problemas internos, ainda que ao preço de algumas mudanças profundas. Uma Igreja que dê maior prioridade à prática da caridade do que à simples repetição de seus cânones. Uma Igreja mais católica, menos romana e ainda mais apostólica.

O Sumo Pontífice vem da Ordem Jesuíta. Obviamente, o homenageado pode ser São Francisco Xavier. Muitos italianos falavam em São Francisco de Pádua. Entretanto, ao ver a figura altiva e suave de Sua Santidade, não pude deixar de pensar no doce revolucionário criador e líder dos Franciscanos. E creio que os quatro Franciscos em foco espelham esses propósitos de manifestação da humildade na expansão da fraternidade.

Por fim, quando o novo Papa pediu à multidão que orasse por ele, no momento de sua primeira fala, e curvou-se para também orar e receber a emanação da prece coletiva, num inequívoco gesto de inclusão de seus fiéis em seu destino, minha emoção foi mais forte. No fundo da mente, uma canção para crianças, antiga, soava em surdina: “Fazendo festa no menininho, contando histórias pros passarinhos... lá vai São Francisco pelo caminho”.

Há muito não me emocionava tanto com a apresentação de um novo Bispo de Roma. 

Que a luz do Cristo o acompanhe por toda a sua jornada. Abençoado seja o Cardeal Bergoglio pela escolha do nome Francisco. Louvado seja o Santo de Assis (e também os outros). Bendito seja o Papa Francisco em seu pontificado. 


Salve Jorge!